REMINISCENCIAS2

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terça-feira, 12 de julho de 2011

A mansão da praia - parte 1


Tudo indicava que as férias na praia seriam ótimas. A senhora responsável pela casa que havíamos alugado dera sua garantia: lugar confortável, espaço para todos e, o melhor de tudo, pertinho da praia. “Praticamente à beira-mar” – ela dissera com aquele sorriso escancarado. No início de janeiro daquele ano, partiu a grande família: tio, tia, primos, irmãos e minha mãe recém separada. Viajamos durante dez horas, com paradas, cantorias e discussões até que, por fim, chegamos ao paraíso prometido: Marataíses.
Achar a casa foi um custo. Tendo um endereço que não resolvia muita coisa, afinal ninguém conhecia a cidade, e a praia como referência, a casa era “praticamente a beira-mar” começamos a parar em cada bar, casa e posto de gasolina à procura do lugar. E a cada nova informação a gente ia se distanciando mais e mais da orla. Vários quilômetros depois e finalmente chegamos. “A beira-mar?” Um de meus primos perguntou com ar inocente, mas os olhos brilhando de deboche. Segurei o riso. 
Além de distante da praia, nem em sonho a casa poderia se parecer com o lugar confortável e aconchegante que nos haviam anunciado. Para começar, não havia chuveiro, apenas um cano de PVC por onde corria um filete d´água. A geladeira estava toda enferrujada na parte de baixo e com uma velha tábua de madeira lhe servindo de calço. As camas... bom, as camas eram um caso à parte. É suficiente dizer que na primeira noite meu tio e minha tia desabaram no chão enquanto dormiam: os estrados da cama de casal estavam podres e não suportaram o peso, ao menos foi isso o que disseram na manhã seguinte...
Não tínhamos outra saída: ou as férias seriam transformadas em um inferno ou tudo aquilo seria motivo de riso. Felizmente optamos pela última alternativa. E assim, na primeira manhã, após a fatídica noite da cama despencada meu tio resolveu batizar a espelunca: “Essa é a mansão Chez Mata Machado!”

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